4.10.15

Cá, entre nós... 3?

Sabe?
Levantar o colchão foi tipo pendurar a chuteira deixar cair a casaca - é assim que fala?
Não que isso seja uma despedida, mas parece cada vez mais com uma a cada minuto segundo, sei lá... Eu tô sempre por ai, pedindo perdão por estar de mãos atadas, só que é verdade, eu não consigo nunca um jeito de fazer de outro jeito
Então, por isso, é que eu deixo as coisas assim que nem eu deixo as pessoas que nem você, é a mesma coisa. É a mesma coisa.
O que que aconteceu na minha vida pra que eu fosse desse jeito?

31.8.15

to meio assim cansado, sabe, esgotado meio sem jeito de entender o que que é que tem que pode ser mas tá, eu sei que é só comigo, amigo, pode deixar. pra mim é meio assim que funciona mas é só porque realmente é o que eu conheço porque de resto, pf, sei la eu, entende?, meio que parece que eu tenho que me bem resolver com tudo mas nunca que eu sei como é que faz isso, como é que faz? eu sei que ninguém tem resposta pra isso, mas é só uma pergunta, sabe, pra saber se tem mais gente tentando ser assim ou se todo mundo se controla e o desequilibrado aqui sou eu.

1.7.15

Queria ser assim, sabe...
meio osso, meio pedra

5.6.15

Meu bem,
no dia que eu conseguir me orientar sem ti e sem a tua presença, eu te mando uma carta e a gente se vê, a gente se fala, a gente se qualquer coisa assim meio na paz.
no dia que eu tiver assim com os dois pés firmes, eu te mando mensagem, te aviso, de dou um toque e a gente conversa, toma alguma coisa...

não sei ainda das coisas do porvir que porventura podem ser ruins, mas acho que não, acho que não.
mas assim, caso não der certo, já fica assim sabendo que foi isso que rolou.

no mais, estou bem, estou consciente e estou vivo.
tudo nos conformes...

8.4.15

Pelo menos isso é passado, não é?

Acho que por ora eu não te devo nada, exceto uma frestinha que seja de consideração. Dividi nem sei o quê nesse tempo curto (curtíssimo...), mas graças a Deus passou e já passou faz tempo. Conheci um mundo (meu mesmo, bem pequenininho) que era outro muito outro e por isso te devo graças. De lá, do cá-entre-nós, é a única coisa que eu consigo guardar - o resto me falta memória, paciência ou coragem.
Queria falar de mim, que sim, estou bem de saúde estou bem de muitas coisas, mas que não aprendi nada nadinha de nada. "Aflição de ser eu e não ser outra"...
Sabe?
Ainda me rebuliço e me retorço por dentro por pouco por medo por medo. Por medo. E acho que não, acho que não vou mudar nunca vou ser assim dessa aparência e dessa alma pra sempre. Acha que sou fatalista?

Com um tiquinho mais de vontade de peitar o passado eu saberia como você está, se está bem se já voltou, quando volta se é que volta...
E ter certeza que pelo menos isso é passado. Pelo menos isso é passado, não é?

12.11.14

que coisa

24.1.14

A gente se engana com o barulho da rua quando as coisas deveriam estar em paz. Passa o som dos escapamentos quebrados e nossa mente se tormenta se deveria estar turbilhada com as regalias mais sórdidas. Do amor, da paixão e da luxúria. Mas nada: a cabeça tá em paz e o caos tá lá embaixo. No quarto andar, nada aconteceu. Mas no asfalto três foram atropelados, e no calçadão na frente da Igreja as pessoas que dormiam foram acordadas a força e tiradas de lá. Aqui em cima, reina o sereno, mas lá embaixo, ficou o prazer de estar a ultima vez com quem se quer bem pra sempre, amém. 'E a alma partida pela separação grita por uma solução'. Mas se tá tudo bem aqui em cima, porque lá embaixo as coisas continuam a acontecer, non stop, como se tudo girasse e girasse ou seguisse em frente seguisse em frente? Às vezes, a gente tem vontade de ser que nem as coisas na rua, não tem? Que nem a consolação às cinco da tarde afogada de gente querendo ir embora. Ninguém quer estar bem estar em paz quando todo mundo tá lutando pela vida. Todo mundo quer lutar por um espaço no trânsito. E andar no fluxo com todos os carros. Mesmo que a vinte por hora e chegar só as oito em casa.

16.12.13

Acho, de verdade, que o amor atravessa o tempo e o espaço. Milhões e milhões de anos e quilômetros que não impediram que se amasse. Mas as pessoas não. As pessoas não atravessam o tempo. Elas estão sempre estáticas nos seus 90 anos.

14.12.13

Se eu te encontrasse hoje, tipo, sei lá, no meio da rua, sentado no ponto de ônibus eu fugiria com os olhos e quem sabe dirigiria algumas palavras. Mas só palavras. Porque eu ainda penso de vez em quando nos tempos áureos que se passaram faz pouco tempo. Talvez forçasse um abraço, só pra sentir de novo teu peito inchando e esvaziando inchando e esvaziando inchando e... Talvez quisesse que tu explodisse num choro desconsolado. Que as lágrimas caíssem dos teus olhos sem atrito com a pele e molhassem o asfalto da calçada e o sol apagasse as gotas assim sem mais nem menos. E que eu te abraçasse ou te olhasse intacto dentro de mim, mas consternado fora do meu ser. E que eu pudesse dizer adeus e subir a rua. E que tu ficasse a me fitar até desaparecer em cima da ladeira, rumo ao sol ou simplesmente ao fim da avenida. E sentir que enfim eu pudesse dizer dos amores que eu tive. Orgulhoso. Em cima dos meus próprios pés.

20.11.13

Hoje no mercado houve quem me olhasse e não entendesse que tudo aquilo era amor e era paixão, mas que era, acima de tudo, a saudade mais perversa de todas que existem. Aqui no corredor dos sabões em pó jaz a lembrança mais exata do amor que tive e não achava de jeito nenhum o cheiro daquelas camisetas, o exato cheiro da ausência, um por um todos espatifados no chão azul pipocados de gotículas de tristeza.
Pra cá, pro lado das pessoas que morrem a cada a dia a vida anda serena como todo dia é sereno e como toda noite é conturbada. Mas é junto da lua, junto dessa filha da puta da lua que se grudam as mais sórdidas regalias das mentes perturbadas e das almas errantes. Aqui, na noite ébria e chapada que não deixa a gente descansar que o universo parece que diz pra gente: esse é o teu destino lacrado empapelado endereçado com selo e fita crepe. Só que o dia é sereno e o dia é claro. Não entendo. Por que é que Deus fez assim durante o dia te trarei felicidade e à noite te trarei reflexões diabólicas - será que Ele quer nos ver pagar os pecados da humanidade? Carregar a humanidade nas costas carregando a humanidade nas costas? Se a mim fosse concedida uma prerrogativa seria a de que Deus fizesse dos dias angústia e das noites calmaria.

20.8.13

E eu te amei tanto e por demais que, na minha fé, isso foi um pecado que os santos até hoje me execram. E ainda eu choro dentro do meu peito quando eu ouço o teu como se ele encostasse nas minhas costas e eu te sentisse todinho dentro do meu espírito. E aqui de do centro do meu corpo dói, dói, dói... Ai, meu Deus! Quem me dera poder renascer durante três dias e morrer por fim no terceiro e sentir analgesia dentro dos meus olhos...

4.8.13

Eu é prefiro me sentar aqui neste lugar - que é meu! - e esperar até que o Sol morra de fadiga! Foi aqui, neste banco que tem o assento corroído pelo infortúnio do tempo e pelos cupins que eu vi o meu corpo dilatar-se. Foi neste banco, que já tem as pernas bambas de carregar-me em cima todos os dias que eu vi amanhecer um espetáculo e que hoje queima-se com olhares de quimera - e por isso daqui eu não saio! Deste canto que Deus, nosso Senhor, me deu de presente e que hoje honra a palavra da fé dos homens eu não arredo! Nem que destrocem, nem que dilacerem todos escapes, eu permaneço estático. Nem mais memória, nem mais ideia, nem mais pensamento - me queimaram todos, cartela atrás de cartela. Este banco é tudo que me resta. Eu, com o nada que me lava as mãos, mantenho-me compadecido com aqueles que não se compadecem. E queria poder estar vivo no dia que todos puderem se compadecer.

20.5.13

Acho que se eu tivesse recusado a subida, não teria conhecido um anjo. Um anjo um tanto quanto decrépito, na forma de uma adicta em cocaína, marginalizada por ser assim. Deus dividiu uma ladeira com uma cruz e colocou este anjo abaixo dela... Mas o anjo, ainda assim, quis reconquistar o amor de Deus, mesmo tendo uma vida filha de uma puta. Eu encontrei este anjo no começo de uma subida desgastante e ele me levou até a cruz: até a metade do caminho, até onde Deus permitisse que ele chegasse. E me deixou ali, sabendo que fazia poucas horas depois do último consumo, sabendo que ela tinha uma filha de cinco anos, e sabendo que estava precisando de meias e de um cachecol. E que ela não tinha esquecido do amor de Deus. "Deus seja louvado. Que ele seja sempre louvado." Daí, eu fiquei ali, no meio de um caminho, subindo prum morro pra encontrar com Deus e as estrelas e pensar naquilo tudo que eu tinha aprendido em cinco minutos de uma caminhada. Um anjo completamente esquecido e desamparado, que mora abaixo de uma cruz, ainda tenta reconquistar o amor que Deus lhe dera. Me ensinou sobre a fé: que a fé é capaz de vencer qualquer ímpeto.

28.4.13

Epifania sobre o que é a inércia (talvez não seja esse o mais apropriado)

Acho que o mundo tá me deixando pra trás. Ou sou eu covarde o suficiente pra levar um tapa do universo. Mas a terra tá girando e girando. E parece que toda vez que o trem chega, eu não tenho forças pra pular dentro dele. Ou não existe um espaço ali, do meu tamanho, pra eu me acomodar e viajar tranquilo sereno e em paz. Ou é simplesmente um medo babaca e banal do futuro. Uma ansiedade urgente que não consegue me deixar esperar os próximos trens, que se esvaziam aos poucos. Mas quanto mais tarde, menos trens existem, e mais vazios e solitários ficam os vagões. Só que meus pés não se movem. Ficam estáticos, contrariando uma vontade túrgida dentro de mim...