16.9.12
por aí se foi a noite
Eu cuspi aquele último trago de absinto na cara dele sei lá acho que eu já estava ébrio e eu disse que não não, tá tudo uma merda tudo tem que mudar e que eu queria mudar e que tudo um dia seria diferente e ele estranhou e me disse que eu nunca tinha sentado num caralho como é que eu queria mudar as coisas você é um bebê e você chupa o dedo invés de um pinto como você quer mudar o mundo sendo mimado e bolhudo desse jeito e por aí se foi a noite e eu dizia que não que ele não me conhecia que eu era diferente que eu não era igual aos filhos da puta da 'minha laia' e ele dizia que conhecia o tipo típico moleque que quer mudar o mundo e não sabe nada nadinha do mundo e ele falava falava falava falava e eu não me aguentei de tesão de beijei aquela boca de deus grego e coloquei a língua sem dó e depois de cinco segundos ele afastou e disse que ele gostava mesmo mesmo de mulher e eu respondi que eu podia ser mulher por trás e ele me perguntou como que todo esse impulso animal esse desejo incontrolável ia mudar o mundo e eu só soube responder que essa era a minha angústia mais profunda de não ser igual a todos os outros e de não cair na merda do conservadorismo mas que eu não era nada daquilo e que aquilo era de fato o meu desejo de ser e que eu tinha fé de um dia chegar na plenitude de tudo isso. E, de repente, amanheceu.
12.9.12
Tu me beija o corpo,
me toca a vergonha,
acarinha o pescoço
costura-me o seio...
Me umedece nos olhos
até que eles se quedem de inchados
vermelhos vermelhos vermelhos
E tu chama pra dançar,
nem que seja a última
será sempre a primeira
será sempre a primeira
será sempre a primeira
Depois - mas só depois
Tu te vais
que não sei guardar vapor.
10.8.12
É complicado filtrar as certezas das purezas enquanto as patologias não forem, de fato, patologias e as utopias forem, de fato, utopias. Vejo esse menino feio e grotesco e oferecem a ele uma bituca de um cigarro acesa como se dissessem esta é a sua dor, fume-a; a tua dor é agora mérito de consumo e não mais sequer uma simples poesia banal e o menino arranca o cigarro e leva-o à boca desesperado e ansioso, puxa a fumaça e - ele não sabe tragar...! - agoniza num lacrimejante ataque de asfixia até que arranha a garganta por clemência e esta mesma clemência ergue sobre o menino um problema lógico matemático que logo ele abraça e tenta resolver um problema que não tem solução e o menino chora um choro fino e agudo de criança birrenta que quer porque quer a solução do problema. Até que a morbidez lhe diz assim: "Este copo contém fel. Este fel é a vivência além da sobrevivência e ele é a tua solução." e o menino bebe o fel num gole e vê o teu espírito exaurir-se a tua alma vomitar-se e o teu corpo moribundo cair na (por) Terra.
7.8.12
(do pensamento que nem eu consegui entender)
De que a Utopia é o ceticismo disfarçado do contrário, eu já entendi, mas é só que eu não consigo compreender a Fé na tua plenitude mais sublime e, afinal, de que é feito o credo senão de ufanismo? Este mesmo credo que é a epifania da treva é também a morte completa e lenta da alma. Credo, ai, o credo é o aconchego do espírito e o alívio das vítimas que não seriam vítimas se não quisessem... A premissa, pois, é verdadeira, o conforto ataca cada micromolécula da alma e digere os espíritos bons em lentidões das mais lentas - e aí resta pouco, muito pouco...
1.8.12
Tu me arrancaste os olhos e as vontades - apenas para esfregar na cara dos teus inimigos que, sim!, tu es amado pelos mais parvos seres! E, pois atitude tão repugnante - expor-lhes um bibelô hediondo - como ainda eu posso não esquecer do teu abraço e do cheiro dos teus casacos tão claramente?
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"E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridículo o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor." Dama da noite, Caio F Abreu
30.7.12
Eu abdico ou Tudo aquilo que me conforta
Eu abdico dos meus pecados e das minhas dores. Eu abdico dos meus valores e das minhas certezas. Eu abdico de ti. E do meu naná dos meus três anos.
27.7.12
Eu continuo amando a razão e a certeza nas tuas formas mais humanas possíveis
Eu sonhei que eu ouvia o teu peito - tão claro que podia contar a pulsação do teu corpo moço, de cabelo macio e de pau frouxo. E o teu peito inchava-se das racionalidades mais escusas e mais repletas de teorias, provas e certezas até que explodiu - e deixou cair por terra todos os teus valores, rótulos e títulos e todas as tuas ideologias, faixas e bandanas. E que sobrou apenas o teu seio respaldado de princípios insólitos e tímidos, vergonhosos e verdadeiros, imorais e sublimes. Mas estes não demoram a cavar cada milímetro do pensamento - o impossível é contrariar a vontade (ou a ti mesmo!...). Só que não há estrada entre a verdade e o subconsciente - eu continuo amando a razão e a certeza nas tuas formas mais humanas possíveis.
- Seremos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos (paráfrase do célebre "O Pequeno Príncipe", de Saint-Exupéry).
23.7.12
Dentre fel, amor, e insanidade a paz dos olhos de um único alguém
Você ainda vai foder com o teu corpo, eu dizia, e ele me respondia com ar de quero que todo o mundo vá tomar no cu e me deixe procurar a paz da maneira dita mais escusa e que nem mesmo ao amor foi-lhe possível a serenidade "pois amar deveria me lançar no lago profundo de calmaria e nem mesmo isso esse mundo filho de uma puta me deu então deixa eu fumar quantos cigarros eu achar necessário pra deixar de sentir o meu sangue passar pelo meu coração e eu esquecer que eu amei amei amei amei amei" e que não era a monstruosidade do teu corpo e sim da tua alma que assustavam quase louco e quem nunca na vida devorou com paixão tudo aquilo que lhe foi oferecido "paixão é que é como um pouco de fome" e então ele vomitou dentre fel, amor, e insanidade a paz dos olhos de um único alguém "e que me culpo, às vezes, por ser um só".
7.7.12
Mãe,
Eu sou teu único filho e dizem todas as bocas imundas que eu deveria te proteger - sabemos, pois, que esta premissa é uma inverdade. Protege-me tu como jamais eu poderia e saberia te proteger. Mas sinto que estou mais pra lá do que pra cá, embora eu sinta nos poços da minha alma que eu deveria estar aqui. Não quero deixar a casa vazia e pia entupida de louças e amargura. Não es amarga, com a certeza absoluta de que não es. Tu sofreste como ninguém desde que o nosso pai se foi. Apenas tenho medo, sabe. Tenho medo de te jogar no mundo e deixar-te cair no lago do café sem o açúcar.
6.7.12
Das pétalas
Eu falei pra ti mais de centenas de vezes como que a rosas ficam belas depois do orvalho! Parece até que choram, veja! Esta pétala aqui, do que será que sofreu esta pétala tão vívida? - talvez a perda. Perdeu esta pétala o que mais importava para ela: a abelha que outrora costumava pousar todas as tardes nesta mesma pétala para retirar da flor o saboroso pólen. Criara a pétala vínculos fortíssimos com o tal inseto, quebrados pela curta vida das abelhas. Esta outra aqui sofreu foi de doença! Todas as outras pétalas foram egoíssimas com esta - chupavam para si toda a água e deixavam-na carente de suprimentos. Aí, adoeceu, contraiu a moléstia! E urrou um pranto fortíssimo de dor - e ainda por cima chamavam-na de fraca! Ah...! Esta daqui foi a que mais sofreu de todas - foi amor. Amou uma borboleta que costumava girar em torno do corola todos os dias como jamais amara a outra criatura que ousou aproximar-se da flor. Mas as borboletas, as borboletas todos sabem!, são muito arrogantes - não aceitam mais nada que não seja "mais belo" que as próprias asas. E a pobre pétala fora rejeitada de um amor verdadeiro e insano, que a fez sofrer numa magnitude sem igual. No mais, é um lindo cálice! Não achas?! O sofrimento parece que fortalece, deixa vivo... Acontece com nós, humanos. Sofrer é o nosso poço inesgotável de forças motrizes.
4.7.12
29.6.12
Acredita: sou puro...
Mas ora, não foi o comício das feras que me ditara a amar. Amo porque é inerente à minha humanidade - e falo aqui, na tua cara, cuspindo nos teus pêlos, que eu te amo pra caralho. E não interprete o amor como uma simples banalidade - uma coisa apenas que as feras me ensinaram é que nenhum tipo de amor é imoral, já que isto te importa. Eu amo puro e amo a pureza. Mas sabe o que eu queria? Queria teu peito: os pêlos do teu peito pressionados no meu e ouvir o teu coração. Sei que ele bate forte e claro, é vigoroso e jovem! Mas sei que achas que, apesar dos apesares, eu que sou a grande fera, porque devoro sem deixar rastros e sentimentos. Só que eu mesmo fui devorado outrora sem ao menos escarrar na boca que me beijava, como posso ser eu fera?! E se fora, ama-me assim! Acredita: sou puro...
27.6.12
La cama, el espejo y el corazón se quedán vacíos...
Vazio feito manga e pipoca comida. Resta o gosto na boca - e esse é o prazer de ter o amor que acabou sempre por perto, como o anjo da guarda. E resta o fiapo no dente, só que esse fiapo é a dor incômoda e dolorida, que é o insuportável de alguém que foi um pedaço do coração outrora.
23.6.12
Ébrio
... e eu só vim aqui te falar merda porque eu achei que você fosse diferente. tipo, a única usando camiseta lisa enquanto todo mundo usava estampada e caótica. e sabe como dizem - a camiseta traduz uma sociedade inteira então chamar a nossa de caótica não é errado. é o caos da putridão, Lorena!, cada qual na própria briga tosca pela próxima carne fresca. cercaram, uma geração inteira cercada - e não venha me convencer de que somos todos livres! livres de escolha, pf, livres de opção, pf, livres de amor, pf, tudo à puta que pariu esse mundo de merda! olha. olha a bosta da minha mão e me diz o que que você acha - pois é! roí todas as minhas unhas em espaços de segundos, Lorena!, - o poder inexorável dos caninos humanos! E eu roí as unhas de amor, mas amor por quem quer mastigar a casca e cuspir fora. Eu senti medo, Lorena! E o medo, ah...!, o medo é a epifania da vontade! Não te faz todo o sentido?! Faz! Faz sim. É bom saber que um puto na terra entende o que eu quero dizer! Mas eu vou continuar amando, Lorena. E vou amar até a quem não ama - o amor é a grande solução que todo filho da puta fodido do mundo quer achar.
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