6.7.12
Das pétalas
Eu falei pra ti mais de centenas de vezes como que a rosas ficam belas depois do orvalho! Parece até que choram, veja! Esta pétala aqui, do que será que sofreu esta pétala tão vívida? - talvez a perda. Perdeu esta pétala o que mais importava para ela: a abelha que outrora costumava pousar todas as tardes nesta mesma pétala para retirar da flor o saboroso pólen. Criara a pétala vínculos fortíssimos com o tal inseto, quebrados pela curta vida das abelhas. Esta outra aqui sofreu foi de doença! Todas as outras pétalas foram egoíssimas com esta - chupavam para si toda a água e deixavam-na carente de suprimentos. Aí, adoeceu, contraiu a moléstia! E urrou um pranto fortíssimo de dor - e ainda por cima chamavam-na de fraca! Ah...! Esta daqui foi a que mais sofreu de todas - foi amor. Amou uma borboleta que costumava girar em torno do corola todos os dias como jamais amara a outra criatura que ousou aproximar-se da flor. Mas as borboletas, as borboletas todos sabem!, são muito arrogantes - não aceitam mais nada que não seja "mais belo" que as próprias asas. E a pobre pétala fora rejeitada de um amor verdadeiro e insano, que a fez sofrer numa magnitude sem igual. No mais, é um lindo cálice! Não achas?! O sofrimento parece que fortalece, deixa vivo... Acontece com nós, humanos. Sofrer é o nosso poço inesgotável de forças motrizes.
4.7.12
29.6.12
Acredita: sou puro...
Mas ora, não foi o comício das feras que me ditara a amar. Amo porque é inerente à minha humanidade - e falo aqui, na tua cara, cuspindo nos teus pêlos, que eu te amo pra caralho. E não interprete o amor como uma simples banalidade - uma coisa apenas que as feras me ensinaram é que nenhum tipo de amor é imoral, já que isto te importa. Eu amo puro e amo a pureza. Mas sabe o que eu queria? Queria teu peito: os pêlos do teu peito pressionados no meu e ouvir o teu coração. Sei que ele bate forte e claro, é vigoroso e jovem! Mas sei que achas que, apesar dos apesares, eu que sou a grande fera, porque devoro sem deixar rastros e sentimentos. Só que eu mesmo fui devorado outrora sem ao menos escarrar na boca que me beijava, como posso ser eu fera?! E se fora, ama-me assim! Acredita: sou puro...
27.6.12
La cama, el espejo y el corazón se quedán vacíos...
Vazio feito manga e pipoca comida. Resta o gosto na boca - e esse é o prazer de ter o amor que acabou sempre por perto, como o anjo da guarda. E resta o fiapo no dente, só que esse fiapo é a dor incômoda e dolorida, que é o insuportável de alguém que foi um pedaço do coração outrora.
23.6.12
Ébrio
... e eu só vim aqui te falar merda porque eu achei que você fosse diferente. tipo, a única usando camiseta lisa enquanto todo mundo usava estampada e caótica. e sabe como dizem - a camiseta traduz uma sociedade inteira então chamar a nossa de caótica não é errado. é o caos da putridão, Lorena!, cada qual na própria briga tosca pela próxima carne fresca. cercaram, uma geração inteira cercada - e não venha me convencer de que somos todos livres! livres de escolha, pf, livres de opção, pf, livres de amor, pf, tudo à puta que pariu esse mundo de merda! olha. olha a bosta da minha mão e me diz o que que você acha - pois é! roí todas as minhas unhas em espaços de segundos, Lorena!, - o poder inexorável dos caninos humanos! E eu roí as unhas de amor, mas amor por quem quer mastigar a casca e cuspir fora. Eu senti medo, Lorena! E o medo, ah...!, o medo é a epifania da vontade! Não te faz todo o sentido?! Faz! Faz sim. É bom saber que um puto na terra entende o que eu quero dizer! Mas eu vou continuar amando, Lorena. E vou amar até a quem não ama - o amor é a grande solução que todo filho da puta fodido do mundo quer achar.
21.5.12
A eternidade/Solstício
Um bolo, do disforme ao conforme - farinha, leite, fermento. E café, que o amargo e o terrível tocaram-na saborosamente. Ou uma massa homogênea, sem significado ou significância - ânsia de um refluxo. O vômito. Assim sentia-se Ana, a contradição convicta de mulher forte, e que muralha era a mulher! E era enorme e era incerta e vivia embebida na era de incertezas. E nem a psicanálise, nem o mais sábio dos Merlins pôde, de fato, conhecê-la. Um dia, Joana, seu eu-alma, seu lupus, em noite de lua minguante ascendeu à eternidade e abraçou-se à Lua feito um par. E a noite era fria, era fria e era solstício. Mas para a Ana terrena, a noite foi ainda mais longa - foi eterna! Não havia morrido, tampouco definhava - apenas trocara Joana pelo antidepressivo, mas como, Ah!, como estancar a crise hemorrágica com uma única pílula?! Não era possível e aí, hoje e para sempre - jorra Ana(,) a eternidade.
5.5.12
Noite do resguardo
Não sou assim - na verdade, apenas não sou; moldo-me em virtude das tuas volúpias e dos teus desejos: sei unicamente que quero ser um deles. Não tenho tripas nem entranhas - não tenho vontades nem obrigações. Não tenho coração nem veias - meu amor é teu. Tenho a ti, só a ti, ser ínfimo, infortunado e inferior - incontrolável. Olha! Olha pra mim! Sou teu - todo teu; vê!; fiz tudo isso pra que amasse só a mim, me refiz de acordo com as tuas regras. Vai valer a pena, vai valer a pena... - eu pensava - ...e se não valer a pena e eu tiver me desgastado, assim, à toa? Não importa! Importa que me faz bem tudo aqui que é em teu prol - mesmo que o frio da barriga suba na garganta e me troque da lucidez à insanidade. Pelo menos, saberei que era doença de você. Infecção - que ataca os ossos e a pele. Os ossos, pra te oferecer o cálcio duro do coração. A pele, porque, por ora, o frio é gritante. Mas não pensa que é meu parasita - claro que não! Ao menos, tenho a ti... tenho a ti... a ti...
1.5.12
Estas são as marcas de O VERDADEIRO AMOR, Juliana!
Estas são as marcas de O VERDADEIRO AMOR, Juliana!, esta merda com a qual o ser humano teima em se meter. É tudo ilusão, Juliana, tudo ilusão, afinal, quem é que tem a liberdade de amar? de pensar? de escolher? Ninguém, ninguém tem, deveria dizer. Mas eu não tenho medo de estufar o peito, estufar o peito e dizer que EU SOU FRACO, EU TE AMO. pronto. Sou fraco pois te amo, sou fraco portanto te amo, te amo portanto sou fraco. Franco talvez seria omitir os fatos, mas que eu posso fazer, Juliana, se eu não me permito calar a porra da boca e sentar a porra da bunda? E não me venha com ladainhas me dizer que eu não deveria me cortar desse jeito - é só que eu peguei a navalha e eu era a coisa mais perto que eu encontrei e... Além disso ninguem mais tem culpa de eu ser assim, pra que descontar nos outros? Os outros... Os outros é que se fodam, Juliana, eu to preocupado em salvar o meu cu e encontrar a minha paz! Quando eu conseguir plenitudear o meu amor, aí sim, que eu vou ter paz "e a vida vai ser tranquila, feliz e harmoniosa". E os outros também conseguem, no céu, nos umbrais, no campo energético, seja onde for, cada alma penada tem o seu espacinho de paz e de pendurar os cabides. A bosta, Juliana, é que todo mundo quer ter paz aqui e agora e não estou negando que também não queira - eu quero e quero muito. Mas se chama mesmo paz escolher os amores a dedo, Juliana?! Tipo, não quero preto porque é fedido, não quero gordo porque é feio, não quero homem porque quero mulher, é isso que a gente chama de paz?! [Quero dizer, estou contando apenas aqueles que ainda acreditam que se pode amar, porque se não, vixe...] Eu retiro dos meus padrõezinhos toda a "ralé" e fico com o que? Com muito pouco ou quase nada, só se for, Juliana, não é possível! Mas sabe, eu quero que minha viagem até o céu chegue logo, também. Imagina só como deve ser, Ju, o ser humano ter que deixar de tocar - tudo aquilo que ele aprendeu e construiu a humanidade inteira sendo destruído por um simples acidente de carro! Imagina, Ju, imagina! Imagina como deve ser subir, sublimar, e mandar um belo foda-se pra tudo o que aconteceu! E olhar de cima, Ju, olhar de cima! E ter, conseguir enfim alcançar a paz, imagina como deve ser! E poder sem remorso perdoar a terra, perdoar os pecados, perdoar os homens! Imagina, Ju...!
Ju, quero morrer. Quero morrer logo. Mas, antes, quero viver. E quero viver logo!
21.4.12
Primeira parte (I - Do prólogo [Lúcido])
Pois esta caneta não risca mais nos papéis dos meus diários - talvez os papéis as rejeitem; porque de tantos que já arranquei já quase destruo meus pensamentos; é incrível como desestruturar um simples caderno pode ser uma reação em cadeia - sinto que minha vontade tem se degradado cada vez mais e mais do que é possível pr'um simples ser humano conseguir carregar. Afinal, humanos não somos mais e já deixamos de o ser desde que o homem se disse homem e de que o rei se disse rei. Pois conseguiram uma vezinha na vida de vocês amar a outra coisa que não tuas calças feito Byron? E como se nem a Byron o era alcançável?!, então não somos seres e muito menos humanos não amamos e tampouco usamos os instintos - quer dizer, instintos temos mas não aqueles naturais e seletivos, selecionamos quem quisermos que morra.
Segunda parte (II - Do miolo [ausente de sanidade])
EU QUERO OUVIR DA BOCA DE VOCÊS! DE VOCÊS MESMOS, DE VOCÊS IMUNDOS E SUJOS E CURRALADOS me diga você meu senhor oh nobre senhor não me leve a mal mas olhe aqui nestes meus olhos mesmos ou no que o senhor poderia julgar como um grande saco de bosta olhe e me diga QUANDO QUE O SENHOR DONO DESTE CU DE CÚPULA PÔDE PENSAR POR SI MESMO E DITAR A TI O QUE QUERIA DE VERDADE ora não me levem a mal apenas quero dizerlhes a verdade ora meus nobres senhores não me levem a mal por favor...
9.4.12
Nu e cru
As tuas cartas de amor eu arranquei do bolso do peito; e os teus abraços eu arranquei das mangas dos braços; e o teu tesão eu arranquei daquilo que restou das calças; e a tua escória eu arranquei dos sapatados apertados.
Cá estou, tal e qual - nu e cru - acumulado dos pecados e extirpado pela imoralidade. Amargo de um amor profundo e errado. Porém sem que tu saibas que hoje estou na frente de ti consumido pela fraqueza - abraço-te, me afogo no teu leito, pois sei que estou frio sem as tuas mangas de carícias aguadas passadas.
Talvez precise de um instantinho de prosa - bater boca. Postar-me em cima dos teus focos oculares, para que me enxergues. E para que possas chegar nos lugares que nem eu jamais fui capaz de alcançar - os meus umbrais mais profundos das mais tenebrosas cavernas da minha alma (minhA Alma...). E entenderes que é impossível viver como eu essencialmente. Incontrolável...
E se eu me perder uma vez mais, não te preocupas. Estarei encascado na carapaça do meu apartamento, cantando e dançando as felicidades irreais - chame-me de louco, daí. Mas não tentes me curar - cansei de engasgar nos remédios humanos.
Mas tenhas a certeza que já amei-te chamaniosamente e arduosamente. Podes esquecer-te de mim. Dos meus filhos. Dos meus roupões. Mas disso não te esqueças - guarda no teu diário, que eu sei que ainda não rasgaste.
"Depois de te perder,
te econtro com certeza.
Talvez num tempo
da delicadeza..." (Chico)
http://www.youtube.com/watch?v=7Ezs2oSkSZw
Cá estou, tal e qual - nu e cru - acumulado dos pecados e extirpado pela imoralidade. Amargo de um amor profundo e errado. Porém sem que tu saibas que hoje estou na frente de ti consumido pela fraqueza - abraço-te, me afogo no teu leito, pois sei que estou frio sem as tuas mangas de carícias aguadas passadas.
Talvez precise de um instantinho de prosa - bater boca. Postar-me em cima dos teus focos oculares, para que me enxergues. E para que possas chegar nos lugares que nem eu jamais fui capaz de alcançar - os meus umbrais mais profundos das mais tenebrosas cavernas da minha alma (minhA Alma...). E entenderes que é impossível viver como eu essencialmente. Incontrolável...
E se eu me perder uma vez mais, não te preocupas. Estarei encascado na carapaça do meu apartamento, cantando e dançando as felicidades irreais - chame-me de louco, daí. Mas não tentes me curar - cansei de engasgar nos remédios humanos.
Mas tenhas a certeza que já amei-te chamaniosamente e arduosamente. Podes esquecer-te de mim. Dos meus filhos. Dos meus roupões. Mas disso não te esqueças - guarda no teu diário, que eu sei que ainda não rasgaste.
"Depois de te perder,
te econtro com certeza.
Talvez num tempo
da delicadeza..." (Chico)
http://www.youtube.com/watch?v=7Ezs2oSkSZw
7.4.12
Pois sede em passe de um momento de inércia
e o momentum logo após a rouquidão de secura e loucura.
E oro a Exu,
Exu meu pai!,
que me livre dos meus internos mais mórbidos e sórdidos.
E peço a Oxosse,
Oxosse meu pai!,
e a Iansã,
Iansã minha mãe!,
que me protejam dos mais fundos umbrais do meu imaginário.
Quisera eu ser guerreira
guerreira que nem minha mãe,
Iansã minha mãe!,
e quisera eu ser forte, forte de peito firme e fosco, pois fodido e fadado...
E estou aqui de joelhos juntos juntando forças pra pedir a vós, meus pais
Proteje meus filhos, mãe Iemanjá,
Iemanjá, minha mãe!,
Proteje meus irmãos, pai Xangô,
Xangô, meu pai!,
E olha meus companheiros, senhor Oxalá,
Oxalá, meu senhor!,
Axé, Axé. Axé a tutti.
Daqui me vou, daqui me vou.
Olha por mim, pai Xangô,
que é difícil de aguentar.
Me desculpa, mãe Iemanjá,
cuida da minha irmã.
E me protege, me protege pai Oxosse
e mãe Iansã.
e o momentum logo após a rouquidão de secura e loucura.
E oro a Exu,
Exu meu pai!,
que me livre dos meus internos mais mórbidos e sórdidos.
E peço a Oxosse,
Oxosse meu pai!,
e a Iansã,
Iansã minha mãe!,
que me protejam dos mais fundos umbrais do meu imaginário.
Quisera eu ser guerreira
guerreira que nem minha mãe,
Iansã minha mãe!,
e quisera eu ser forte, forte de peito firme e fosco, pois fodido e fadado...
E estou aqui de joelhos juntos juntando forças pra pedir a vós, meus pais
Proteje meus filhos, mãe Iemanjá,
Iemanjá, minha mãe!,
Proteje meus irmãos, pai Xangô,
Xangô, meu pai!,
E olha meus companheiros, senhor Oxalá,
Oxalá, meu senhor!,
Axé, Axé. Axé a tutti.
Daqui me vou, daqui me vou.
Olha por mim, pai Xangô,
que é difícil de aguentar.
Me desculpa, mãe Iemanjá,
cuida da minha irmã.
E me protege, me protege pai Oxosse
e mãe Iansã.
1.4.12
Da Lua em Vênus
Embaixo daquilo que conhecemos como Lua havia um planeta - Vênus; parecia que era a Lua daquilo que se chama de Lua. Mas não era Lua, era Vênus. O Planeta. E ao contrário do que se pensava não era belo e nem amado. Era gordo e era grotesco - uma Lua daquela que se conhece por Lua horrenda e nojenta. Era-se de envergonhar... Acima dele, a Lua, Lua realmente dita Lua, minguante e convexa, imponente, brilhosa, bonita e arrogante. Tinha uma beleza apaixonante de séculos de brilho eterno. E sabe-se que os atros não são, em nenhum momento, vulgares - Vênus amava a Lua. A Lua da Lua que se chama Lua amava-a - um amor de milhões de anos-luz e cujo controle fugia às crateras de Vênus. Mas é claro que a Lua não amava Vênus - uma Lua que não amava a própria Lua. Para quê? Se a Lua era a mais bela e Vênus era horrível? E Vênus até hoje chora - e aquilo que se diz 'poeira estelar' nada mais é que as lágrimas de um amor mais doloroso que fogo de uma Lua para sua Lua. E assim fosse: a Lua envolvia Vênus. Mas Vênus não envolvia a Lua.
22.3.12
Da mediocridade
É o medo da mediocridade que me assola, Nette. Mas, pois, mesmo assim sou medíocre desde as maiores profundezas de um corpo desgastado até a ultima molecula de um fio de cabelo que espeta pra fora da cabeça. Somos todos medíocres... Medíocres! E como, me diz como, Nette, como, como posso ter medo de ser o que já sou?! Eu tenho medo de mim? De mim, Nette?! De mim?!
Acho que o desespero atracou no cais. E quando ele atraca, o mais impactante dos esforços é o mínimo para expulsá-lo...
Acho que o desespero atracou no cais. E quando ele atraca, o mais impactante dos esforços é o mínimo para expulsá-lo...
11.3.12
POIS NÃO, NÃO SOU LOUCA. Quero que me ame desse jeito. Normal.
Não acredite em nada que estes filhos da puta que aí vem digam a ti sobre mim. Sou do partido de que o bem é o caminho da civilização e não desejo o mal a ninguém. Chamam-me louca, por isso! Tape os ouvidos pra qualquer merda que eles ousarem pronunciar - e poupe-se dos meus gritos, também, eles tendem a surdar.
- Mas que está falando, não te entendo!
Sei que também me amou, isso é inegável! Só não teve coragem de assumir porque pensou que eu fosse louca. POIS NÃO SOU, NÃO SOU LOUCA NÃO IMPORTA NEM O QUE O PAPA DIGA, eu sou normal e quero que me ame desse jeito, assim, normal!
- Mas...
Cale a boca, ouço os passos desses crápulas imundos vindo me buscar! Não deixe que eles me peguem por favor, eu imploro a sua misericórdia!
- Minha misericórdia?!
Abaixe a calça! Abaixe a calça e meta na minha boceta uma unica e ultima vez! É só isso que lhe peço, me agarre pela cintura e me beije, só pra eu poder sentir o gosto doce da tua boca - o que seria do amor profundo que eu senti por ti sem uma dose de vulgaridade? -, é só isso!
- Aí está.
NÃO, NÃO, ME SOLTEM, FILHOS DA PUTA, IMUNDOS! TRAIDORES! É ISSO QUE ESPERAM DE TODO O MUNDO?! SEUS BOSTAS! IMBECIS! DESUMANOS!
- Mas que está falando, não te entendo!
Sei que também me amou, isso é inegável! Só não teve coragem de assumir porque pensou que eu fosse louca. POIS NÃO SOU, NÃO SOU LOUCA NÃO IMPORTA NEM O QUE O PAPA DIGA, eu sou normal e quero que me ame desse jeito, assim, normal!
- Mas...
Cale a boca, ouço os passos desses crápulas imundos vindo me buscar! Não deixe que eles me peguem por favor, eu imploro a sua misericórdia!
- Minha misericórdia?!
Abaixe a calça! Abaixe a calça e meta na minha boceta uma unica e ultima vez! É só isso que lhe peço, me agarre pela cintura e me beije, só pra eu poder sentir o gosto doce da tua boca - o que seria do amor profundo que eu senti por ti sem uma dose de vulgaridade? -, é só isso!
- Aí está.
NÃO, NÃO, ME SOLTEM, FILHOS DA PUTA, IMUNDOS! TRAIDORES! É ISSO QUE ESPERAM DE TODO O MUNDO?! SEUS BOSTAS! IMBECIS! DESUMANOS!
8.3.12
Da lucidez (das almas opostas, dos peitos conjugados, da estranha contradição entre o afeto e a loucura) ou Sem título - sem final, por suposto
Mas não tenha a certeza de que é lúcido. Pois a lucidez não diz respeito à normalidade dos homens. E, pois, também, não me procure nesta loucura mais-do-que-clichê, nem que nos atos mais mínimos. Não me sinta o afeto dos gatos e dos cães, muito menos os dos Romeus e Julietas. Faz-me odiar-te como se odeia a um vilão. Faz-me lúcida tanto quanto ti para arrancar-me de raiva os olhos vermelhos de insônia falsa, de sono falso, de sim estou bem falso. Já, porém, não é lúcido e louco o suficiente para que entre nos meus umbrais mais profundos onde resguardo as podridões da mais esburacada alma que encontrei nos entraves das ruas de uma cidade fedida?! Quero que continue achando que sabe me lidar, mesmo sem sabendo. Já disse que repudio-te com toda a minha força de mulher frágil. Frágil porque sei que digo que já te amei, já amei essa lucidez estéril e turbilhosa e esse peito ossudo e oco. E esse olhar afido
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